Meu trabalho de pesquisa até hoje tem focado em várias escalas e espaços de ação política em torno do gênero e sexualidade, incluindo a minha pesquisa de doutorado, a qual consiste em uma etnografia do turismo sexual no nordeste brasileiro.  Mais recentemente, eu tenho expandido sobre esse trabalho em uma investigação sobre as campanhas contra o turismo sexual/tráfico sexual associadas com a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, um projeto financiado pelo Social Sciences and Humanities Research Council of Canada. Meu engajamento com a antropologia de gênero e com as várias escaladas e espaços de ação política também me leva a examinar práticas de femininidade no roller derby em um novo projeto de pesquisa ainda em sua fase inicial e tentativamente entitulado Derby Girl como Riot Grrrl? Negociando femininidades no Flat-Track Roller Derby de Mulheres. Além disso, meus interesses de pesquisa caem dentro das seguintes áreas definidas:

  • Gênero e sexualidade
  • Etnografia do Brasil e América Latina;
  • Antropologia Visual;
  • Turismo Global;
  • Trabalhos sexuais e o movimento das trabalhadoras do sexo;
  • Afetividade e trabalho;
  • Emoções, especialmente emoções públicas, as políticas da emoção;
  • Ativismo e mobilização sobre temas de gênero e sexualidade;
  • Racialização e sexualidade.

Etnografia do turismo sexual no Brasil

Desde 2003, eu tenho baseado meu trabalho no nordeste do Brasil, examinado as intersecções de gênero, mobilidade, e globalização. Minha dissertação de doutorado, Gringo Love: Affect, Power, and Mobility in Sex Tourism, Northeast Brazil, é uma etnografia do turismo sexual global na praia de Ponta Negra, uma área turística na cidade de Natal, Brasil. Nela, eu examino o papel que ‘gringo love’, ou amor com estrangeiros, tem para mulheres brasileiras, baseado em observação extensa e entrevistas aprofundadas. Eu argumento que a forte atração de mulheres brasileiras a turistas europeus homens evidencia um profundo sentimento de insatisfação com as promessas não cumpridas do estado, do mercado e arranjos locais de gênero. Assim, para as mulheres brasileiras locais, amor com estrangeiros age como uma fuga para longe do sofrimento de suas vidas e, simultaneamente, proporciona um catalisador para se refazerem como sujeitos modernos através de projetos de mobilidade social, espacial, e econômica.

As campanhas contra o turismo sexual

Um tema central do meu trabalho se preocupa com a política do que Laura Agustín chama de a “indústria do resgate” (ex.: tentativas de ‘salvar’ trabalhadoras do sexo migrantes). Eu analiso as campanhas contra o turismo sexual em Natal, especialmente como elas interagem com vários interesses políticos e como resultam em práticas de exclusão espacial que afetam primeiramente mulheres brasileiras jovens, racializadas, e marginalizadas. Os paradoxos dessas campanhas, e suas implicações abrangente para o pensamento das possibilidades e limites do ativismo feminista em novos espaços políticas da América Latina, são parte de um recente livro colaborativo publicado com a Pluto Press, Contesting Publics: Feminism, Activism, Ethnography (2013) with Sally Cole, Lynne Phillips and Erica Lagalisse. Eu continuo a examinar essas campanhas e sua saliência renovada com a vinda da Copa do Mundo de 2014 em Natal. Atualmente, estou trabalhando na adaptação de meus resultados sobre as campanhas contra o turismo sexual em uma graphic novel.

Roller Derby

  Em meu tempo livre, comecei a praticar roller derby – um esporte de contato que foi reavivado em Austin, Texas em 2001 e que tem visto, desde então, um aumento significativo em popularidade ao redor do mundo. Seduzida por esse movimento contra-cultural associado com o cenário punk e o ethos do-it-yourself (DIY), eu percebi que roller derby também estava no processo de se tornar cada vez mais incorporado na cultura dominante, exemplificado na consideração de sua inclusão nos Jogos Olímpicos de 2010. Na mudança de Vancouver para Ottawa, eu também descobri que roller derby recebe significados diferentes em espaços culturais diferentes, e fiquei fascinada com as maneiras como a femininidade é negociada neste esporte de contato que joga com a imagem da mulher dura porém sexualizada. Estou atualmente no estágio inicial de um novo projeto de pesquisa que irá examinar como, em vários espaços em todo o Canadá, jogadores de derby negociam entre a sub-cultura DIY que resiste regras de gênero normativas e a pressão para estabelecer a respeitabilidade e legitimidade do esporte através de expressões convencionais de femininidade.